sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O PANORAMA GERAL DA HUMANIDADE...

 

Prejuízos com chuvas extremas na Ásia já ultrapassam US$ 20 bilhões

Países da região estão entre as 10 nações mais afetadas pelo clima em 2024; resiliência climática está aquém do necessário.


...Sabe, o ser humano é a única espécie que de forma consciente não se vê como parte integrante da natureza e, assim não considera a gravidade do fato de que destruir o ambiente em que vive é sabotar a sobrevivência da espécie humana não apenas no futuro, mas já no presente, pois muitas pessoas estão morrendo por causa do modo de vida não sustentável que tem provocado as mudanças climáticas e suas consequências diretas (inundações, secas, tornados) e indiretas (doenças e mortes por causa de extremos de temperaturas baixas ou altas, etc). A humanidade em geral é muito estranha, de modo que mesmo tendo a capacidade cognitiva racional que a possibilita ler a saúde do planeta através de dados e interpretar tais dados correlacionando inclusive com eventos que ocorrem, ainda assim age como se de fato fosse um ser completamente ignorante e irracional acerca do mundo em que vive...


domingo, 21 de fevereiro de 2021

UTILIDADE PÚBLICA: PREVENÇÃO CONTRA O CORONAVÍRUS

 


PROTOCOLO DE SEGURANÇA SANITÁRIA PARA QUALQUER DOENÇA RESPIRATÓRIA CONTAGIOSA DURANTE UMA PANDEMIA:

- Ao sair de casa usar sempre máscaras;

2- Evitar aglomerações e contatos físicos na rua (abraços, beijos, etc);

3- Se andar de transporte coletivo ao chegar no ambiente de trabalho lavar as mãos, os braços e o rosto com água e sabão e trocar de máscara;

4- Se tiver que comprar algo na rua para se alimentar, procurar um local que não tenha aglomerações de pessoas, de preferência comprar o alimento e comer num local reservado e, antes de se alimentar lavar as mãos, os braços e o rosto com água e sabão, a mascara que foi retirada colocar num saco plastico e, ao terminar de se alimentar colocar outra nova máscara;

5-Se comprar água na rua lavar a garrafa ou copo por fora com água e sabão ou álcool gel antes de abrir o recipiente e tomar água;

6- Ao chegar em casa higienizar o sapato com álcool gel ou com água sanitária diluída em água (2 colheres de sopa de água sanitária diluídas em um litro de água é o suficiente para usar como solução para higienizações) e, não abraçar pessoa alguma ou animal e nem se sentar em local algum sem ter tirado a roupa (que deve ser logo colocada num local para ser lavada) e sem ter tomado banho, sendo necessário inclusive lavar o cabelo também o qual, por sua vez, de preferência deve ser mantindo com cortes curtos;

7-Usar de preferencia bolsas de tecido e todas as vezes que chegar em casa lavar logo a bolsa e as máscaras com água e sabão, higienizar carteiras, chaves, celular e cartões que tenham sido usados na rua (crédito, passagem, etc), cadernos, livros, agendas, etc, passando um pano úmido com álcool gel ou com água sanitária diluída em água;

8-Higienizar o veículo próprio de trasporte por dentro e por fora com água sanitária diluída em água ou com água e sabão sempre que chegar em casa;

9-Higienizar as sacolas plásticas com água e sabão e as embalagens dos produtos com pano úmido com água sanitária diluída em água ou com álcool a 70%;

10-Lavar sempre as frutas, verduras, tubérculos, etc, com água e sabão e com água sanitária diluída em água;

* Te garanto que fazendo estas coisas você evitará contrair Covid-19 e transmitir esta doença para seus familiares, amigos, colegas de trabalho, etc...  

OBSSe sentir algum sintoma da Covid-19, se isolar em casa, colocar máscara mesmo estando em casa, procurar logo atendimento médico e os materiais a serem descartados devem ser colocados num saco plástico e fechados.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

PARA REFLETIR...


David Quammen, o biógrafo das grandes epidemias
sex, 03 de abril de 2020
Autor de diversos livros sobre epidemias modernas diz que a destruição desenfreada da natureza coloca a saúde humana em risco devido ao contato com uma grande quantidade de vírus. Nos últimos 50 anos, algumas das principais doenças surgiram das florestas tropicais na África e na Ásia.
Por Gustavo Faleiros
escritor David Quammen é certamente um dos maiores cronistas sobre a diversidade biológica existente no planeta. Seus livros sobre a teoria da evolução de Darwin e a extinção das espécies oferecem uma visão ao mesmo tempo profunda e instigante. Entre suas obras, “O Canto do Dodô” [Cia das Letras, 2008] é a mais famosa, mas destacam-se ainda os magníficos contos sobre grandes mamíferos reunidos em “Monstro de Deus” [Cia das Letras, 2007].
Na última década, o americano voltou seu interesse a um outro tipo de diversidade: os vírus e as enfermidades que eles causam nos humanos. Seus livros investigativos, que sempre incluem relatos sobre viagens ao coração das selvas do Congo ou às matas do Sudeste Asiático, detalham com informação acessível o surgimento do vírus da AIDS (HIV) e do ebola.
Mas é um livro de 2012, chamado “Spillover” [Transbordamento, em tradução literal], que tem voltado aos debates e recebido resenhas em todo mundo. A obra revela que a complicada relação entre os humanos e o meio ambiente está na raiz das maiores enfermidades recentes. É uma leitura essencial no momento em que o coronavírus já contaminou (apenas entre os casos confirmados) mais de 1 milhão de pessoas no mundo, e a contagem de mortos não para crescer.
Com relatos sobre encontros com pesquisadores em diversas partes do mundo, a obra traz uma perturbadora revelação: entre a comunidade científica, há muito se esperava uma pandemia com os contornos da Covid-19. Eles a chamavam The Next Big One [A próxima grande] e Quammen não tem dúvidas de que a crise que vivemos agora se enquadra nesta categoria.
“Eu não sei se esta é “a grande”, mas certamente é uma das grandes, pois já causou muitos danos”, o autor comenta em uma entrevista exclusiva ao InfoAmazonia desde sua casa em Bozeman, no estado de Montana (Estados Unidos).
Quammen também falou sobre as condições para o surgimento de patógenos como o coronavírus e garante que o que ocorre no momento na Amazônia, com a avanço de garimpos e abertura de estradas madeireiras, é um cenário muito similar ao que viu nas florestas da África Central, onde surgiu o ebola.
Leia abaixo a entrevista completa.
Estou curioso em saber o quê você sentiu quando soube do novo coronavírus, por ter alertado muitos anos antes de que isso poderia acontecer. Não creio que tenha ficado surpreso, certo?
Capa do livro “Spillover” de Quammen: rica narrativa sobre o surgimento de doenças zoonóticas.
David Quammen – Eu definitivamente não fiquei surpreso, eu previ algo como isso no meu livro oito anos atrás. E a única razão pela qual eu fiz esta previsão foi porque os cientistas com os quais eu estava conversando fizeram estas previsões. Então, quando eu ouvi em janeiro que um novo coronavírus havia surgido na China, saído de um mercado de vida selvagem, a única coisa que me surpreendeu foi o quanto estávamos despreparados. Me deixou frustrado e preocupado. Eu me encontrei por acaso com um amigo na semana passada e ele me perguntou: “Como você se sente tendo previsto tudo isso?”. Respondi a ele que preferiria estar errado. Desejaria que os cientistas que ouvi estivessem errados.
Em seu livro, “Spillover” o senhor nos conta que existe entre a comunidade científica o termo NBO ou The Next Big One (A próxima grande) para se referir às possíveis grandes pandemias que nos atingirão. A Covid-19 seria a NBO ou ainda podemos esperar algo pior?
DQ – Essa é uma das grandes! Não sei dizer se esta é “A” grande, mas certamente está sendo uma NBO, porque está nos custando milhares de vidas e trilhões de dólares ao redor do mundo. As sociedades estão sendo interditadas. Os sistemas de saúde na Itália e na Espanha estão colapsando. Escolas estão fechando, representando oportunidades perdidas para crianças carentes. Essa é uma das grandes, mesmo que a taxa de letalidade não seja tão alta. Mesmo se conseguirmos controlar a crise e muita gente não venha a morrer, ainda terá sido uma grande pandemia, pelo custo de ter chacoalhado sociedades e economias, além dos sistemas de saúde e educação.
Muitas doenças recentes surgiram em áreas que sofreram com garimpos, destruição de florestas e outros impactos. Qual é a razão para isso? Por que esta conexão direta entre degradação ambiental e o surgimento destas infecções?
DQ – Estas doenças, incluindo essa nova causada pelo coronavírus, são chamadas de doenças zoonóticas. Isso significa que elas passam de animais não humanos para os humanos. Elas geralmente são novas para humanos. Esta é uma das razões pelas quais elas geralmente são tão devastadoras para nós. Nós não temos vacinas para elas, nós não temos terapias para estas doenças. Se formos ainda mais desafortunados, esse vírus evolui para ser transmitido de uma pessoa a outra. Mas porque isso ocorre? Qual é a razão inicial para isso? Este é o evento que chamamos de transbordamento [spillover], quando o vírus passa de um animal para o seu primeiro hospedeiro humano. Isso acontece em áreas com grande degradação ambiental. Ambientes ricos em diversidade biológica, com muitos tipos de plantas, animais, fungos, bactérias, são também lugares que abrigam muitos vírus. Eles vivem ali, sem serem notados, ao longo dos milhões anos sem causar qualquer doença, até que de repente passam para os humanos. E quando há degradação ambiental, significa que estamos interferindo naquele ecossistema. Estamos cortando árvores, construindo assentamentos,abrindo garimpos. Isso significa também que pessoas trabalhando nestes lugares precisam ser alimentadas. Frequentemente, elas se alimentam de carne de caça, a vida silvestre local é capturada para servir de alimento. Em outras situações, este animais são caçados para serem vendidos, para que pessoas em outros lugares os comam. Então há todos os tipos de perturbação na vida selvagem, na biodiversidade, que afinal contém uma grande variedade de vírus. Quando realizamos estes tipos de interferências, estamos convidando vírus para que se tornem nossos vírus, para que eles pulem para dentro de nós. Estamos dando a eles uma oportunidade para que expandam seus horizontes. Talvez este vírus estivesse em uma situação difícil, poderia estar em vivendo dentro de uma espécie em risco de extinção. Uma oportunidade de pular para dentro de nós pode se traduzir em os vírus terem ganho na “loteria evolutiva”. Eles acabaram de entrar na espécie de mamífero de grande porte mais interconectada e mais abundante em todo o planeta. Se nos infectam e conseguem passar de uma pessoa para outra, eles vão se espalhar por todo o mundo, atingindo um grande sucesso evolutivo. Para nós, é uma situação miserável, é uma pandemia, é a morte. Mas para eles é sucesso! E acontece por conta da perturbação ambiental, a degradação ambiental de lugares que naturalmente abrigam muitos e muitos vírus.
É quase como se nossos grandes ecossistemas tivessem uma armadilha montada para evitar interferência. Ao passo que vamos entrando neles e destruindo, nós disparamos estas armadilhas contra nós.
Uma questão que intriga a muita gente é porque até agora não tivemos uma pandemia originada na Amazônia, já que aqui ocorrem impactos como a maior taxa de desmatamento em todo o planeta?
DQ – Eu não sei. Eu me faço esta mesma pergunta. Na verdade, uma das mais assustadoras doenças recentes surgiu na Bolívia, em 1961, o vírus da enfermidade Mapucho. O pesquisador que descobriu essa doença – e quase morreu ao contraí-la – é um americano chamado Karl Johnson. Ele descobriu que algumas pessoas vivendo em um vilarejo boliviano estavam sofrendo e morrendo desta estranha nova febre. Ele localizou o vírus em um roedor e se perguntou porque naquele momento isto estava ocorrendo, pois não havia registros no passado sobre a doença. O que ele descobriu foi que o roedor se adaptou e estava vivendo muito melhor em áreas agrícolas do que na floresta, seu ambiente natural. Assim, quando a população da vila crescia e precisava plantar mais milho e feijão, a população do roedor explodia. Como a espécie carregava o vírus, mais e mais pessoas começaram a ter contato com ele. Mas este é apenas um caso. A Amazônia está cheia de espécies de animais e, portanto, está repleta de vírus. Então por que não ouvimos falar do transbordamento destes vírus para humanos? Eu não tenho uma resposta para isso. Mas o fato de que não tivemos até agora, não quer dizer que não teremos. Pode acontecer a qualquer momento.
Podemos dizer que com o passar do tempo, as chances de que um novo vírus letal surja na Amazônia vão crescendo. No Congo, o outro grande ecossistema de floresta tropical, produziu ebola, marburg, zica, e uma parcela considerável das doenças virais mais assustadoras. Acho que é apenas uma questão tempo para que a Amazônia entre nesta lista.
Não se pode afirmar que neste momento no Brasil há suficiente investimento em Ciência para acelerar o entendimento e prever quando a degradação da Amazônia poderia fazer surgir um patógeno semelhante ao corona. Em sua visão, quais são os esforços científicos necessários para melhor entender e até prever o surgimento de novas doenças?
DQ – Como o seu governo, o meu governo também tem realizado cortes nos orçamentos para pesquisas científicas. Como vocês, nós também temos um presidente o qual não encontro adjetivos para descrever. Mas há muito trabalho que está sendo feito na descoberta de novos vírus. Isso é uma parte importante: descobrir o que existe por aí, o leque de diversidade de vírus que existe vivendo nos animais, plantas e outras criaturas. Há outros trabalhos no campo do sequenciamento genético, como isolar e sequenciar determinados vírus. Um time em Wuhan, na China, já em janeiro, tinha sequenciado o genoma deste vírus [o coronavírus], o que foi muito valioso para todo o mundo. Assim soubemos que se tratava de um coronavírus relacionado ao vírus da SARS, mas não tão próximo para saber o que poderíamos esperar. O genoma também foi quem nos contou que este vírus não se trata de uma arma química, feita por alguma conspiração de cientistas maníacos em algum obscuro laboratório. Soubemos que o vírus vem de um morcego, por conta da exata equivalência deste genoma com aquele de vírus encontrados em uma espécie de morcego. Portanto, o trabalho científico é extremamente importante. Há dez anos, quando estava escrevendo Spillover, um cientista me contou que seu laboratório estava trabalhando com a possibilidade de se criar uma tecnologia com um chip que conteria reagentes para sequenciar qualquer novo vírus. Você poderia criar uma versão deste chip que iria em uma máquina portátil e que nos daria a possibilidade de testar uma pessoa sobre a presença de uma infecção no tempo de uma checagem de segurança em um aeroporto. Ou seja a pessoa estaria na fila quando um agente recolhe uma amostra para fazer o teste e no tempo de que a pessoa levaria para tirar seus sapatos, sua jaqueta e passar na máquina de raio-x, ela já saberia se seu teste foi positivo ou negativo. Imagine quão útil seria isso num momento como esse? Mas nós não temos isso. Esse cientista estava me falando sobre isso 10 anos atrás e ainda não temos. Mas nós precisamos de algo como isso. Precisamos de investimento privado e do governo, em coisas que nos permitam prever, nos preparar e lidar com novas pandemias. Líderes tanto no mundo dos negócios e no setor público precisam de disposição para gastar os recursos, o tempo e fazer esse esforço. Mesmo que isso não aconteça neste ano, ou no ano que vem, ou mesmo durante a presidência de Bolsonaro ou Trump. Mas parece que eles não querem gastar os recursos em algo que não terá resultados em seus mandatos. Isso é o que torna a situação tão difícil.
Com relação às medidas imediatas que foram tomadas, como o banimento pela China do comércio e consumo de animais silvestres, podemos ter esperança de que isso represente uma mudança real, que evite futuras pandemias?
DQ – Eu tenho esperança de que estas medidas representam uma mudança importante. Claro que ninguém pode ter certeza sobre o que fará a China, pois é um país soberano. Mas haverá muita pressão internacional sobre eles para isso mudar. Quando a SARS ocorreu em 2003, assustando pessoas ao redor do mundo, ficou claro que o vírus também havia vindo de um morcego, muito provavelmente de um mercado na China. Depois daquilo, as pessoas estavam tão assustadas, que a China baniu a venda de animais selvagens nestes mercados. Quando eu fazia a pesquisa para meu livro “Spillover”, em 2009, eu fui à China e a um destes mercados. Eu estava com um pesquisador que estudava estes locais e ele me perguntou “Você acha que isto aqui é ruim, você deveria ter visto como era antes da SARS”. Mesmo quando estive lá, a disponibilidade de animais selvagens era uma loucura. O problema é que o comércio acabou sendo empurrado para baixo do tapete. Você pode ir nos fundos de um restaurante e pedir para que cozinhem um gato selvagem ou um pangolim. E na verdade, tudo isso já estava legalizado novamente. Então imagino que a pressão desta vez é de que a proibição terá que ser para valer. O comércio e o mercado negro terão que ser banidos.
A captura de animais na natureza e a venda dos animais vivos nos mercados têm que ser proibidas. E o resto do mundo tem que seguir o mesmo caminho, isso não pode recair apenas somente sobre a China.
Que outras mudanças, especialmente de longo prazo, podemos esperar?
DQ – Certamente há conversas a respeito. Eu mesmo estou falando a respeito destas mudanças todo dia. As pessoas estão falando que este deveria ser um alerta de que todas estas coisas estão conectadas: desmatamento, mudanças climáticas, espécies invasoras e novas doenças letais. Estamos falando também sobre a questão populacional, os padrões de consumo. Esperamos que um evento como esse – que ironicamente chamamos de “o momento de encontrar Jesus” – possa mudar as coisas [risos]. Mas eu não sei se os empresários e políticos de fato vão “encontrar Jesus” após tudo isso. Ou talvez as pessoas comuns vão mudar os padrões de consumo drasticamente; comer menos carne, viajar menos. Eu por exemplo viajo muito. Tenho pensado sobre isso, que talvez eu devesse viajar menos, encontrar uma maneira de fazer isso. Talvez pagar por compensações pelas viagens, dar alguns dólares extras para uma organização conservacionista. Enfim, tenho esperança de que se esse evento for realmente ruim, e na verdade ele já tem sido, por seu número de mortes e tumulto econômico, nós possamos repensar a maneira como vivemos na natureza.
*Foto de abertura: Por Ronan Donovan, cortesia de David Quammen

"Foi o nosso desrespeito pelos animais que causou esta pandemia"

Jane Goodall avisa que a destruição das florestas faz com que seja "mais provável" que os seres humanos contraiam este tipo de doenças.

A primatóloga britânica Jane Goodall indicou, este domingo, a destruição que os seres humanos têm levado a cabo do reino animal foi uma das principais causas que levou a que o surto do novo coronavírus adquirisse uma dimensão global.
Em entrevista concedida à estação televisiva France24, a cientista de 86 anos sublinhou que, sem os seus habitats naturais, os animais irão ver-se cada vez mais forçados a aproximar-se das populações, o que, por sua vez, tornará mais provável este tipo de surtos.
"Foi o nosso desprezo pela natureza e o nosso desrespeito pelos animais com quem deveríamos partilhar o planeta que causou esta pandemia, que foi prevista há tanto tempo", começou por dizer aquela que é uma das mais conceituadas primatólogas do mundo.
"À medida que destruímos as florestas, as diferentes espécies de animais são forçadas a uma proximidade, e, consequentemente, as doenças são passadas de um animal para outro, e esse segundo animal é, então, mais provável que infete humanos, uma vez que é forçado a viver mais próximo deles".
Além disso, Jane Goodall alerta que outro dos fatores de risco está relacionado com "os animais que são caçados por comida, vendidos em mercados em África ou na Ásia, especialmente na China, e as quintas intensivas onde são cruelmente aglomerados biliões de animais de todo o mundo".
"É ótimo que a China tenha encerrado os mercados de animais selvagens vivos, numa proibição temporária que esperemos que seja tornada permanente e que outros países asiáticos sigam. Mas, em África, será muito difícil travar a venda de carne de animais selvagens, porque muitas pessoas dependem dela para viver", concluiu.

sábado, 12 de janeiro de 2019

PARA REFLETIR....


Pois é...Eu tenho dito a várias pessoas o seguinte: não é preciso ser cientista pra saber que as mudanças climáticas são uma realidade e um cenário já estabelecido, pois basta que cada um se lembre que hoje não chove mais como chovia quando eramos crianças, principalmente as pessoas que possuem 30 anos para cima sabem muito bem disto...Mas, como o ser humano inventou o ar-condicionado e o utiliza em casa, no carro, na escola, no trabalho, etc, a maioria das pessoas que utilizam o ar-condicionado perderam esta noção de sensibilidade térmica e acham que tudo está bem e normal, mesmo com a natureza dando os sinais indicativos que não está (extinção de plantas, animais e outras formas de vida, incêndios florestais espontâneos de mega proporções, elevação do nível médio dos mares, eventos climáticos extremos como tempestades, ciclones, etc). Há cem anos passados na Mata Atlântica e no litoral do Nordeste brasileiro chovia 9 meses, o verão durava 3 meses e o clima era similar ao da Região Amazônica com precipitações quase que diárias, porém hoje quem mora no litoral e na área de abrangência da Mata Atlântica do Nordeste brasileiro sabe muito bem que o que temos são 9 meses de tempo seco e praticamente o inverno deixou de existir...Será que dados climáticos e outros dados ambientais coletados e monitorados há mais de cem anos por diferentes gerações de cerca de 200 cientistas no mundo inteiro e analisados por sofisticados programas computacionais com avançadas técnicas de análises multivariadas estariam equivocados? Com certeza não, mas...

Ass: A. Carmem S.A. - Eng. Florestal, Msc. em Ciências Florestais com ênfase em Manejo Florestal, doutoranda em Ecologia e Conservação de Ecossistemas Florestais... 

sábado, 21 de abril de 2018

DIA DA TERRA: 22 DE ABRIL...

https://youtu.be/q8v9MvManKE



E, falando em Dia da Terra, abaixo estão dois vídeos os quais a cada vez que os assisto, mais aprendo e mais me torno consciente de muitas coisas, pois se minha pessoa já possuía uma consciência a respeito de determinadas coisas, depois destes dois vídeos que assisti e outras coisas que eu tenho pesquisado a minha consciência aumentou muito mais, e, sempre que assisto estes vídeos eles me fazem refletir muitas coisas como ser humano e profissionalmente...


https://youtu.be/WfGMYdalClU



https://youtu.be/41Skj89UrjQ







segunda-feira, 4 de setembro de 2017

domingo, 13 de novembro de 2016

AS FLORESTAS E A SILVICULTURA NA FINLÂNDIA....


As Florestas e a Silvicultura na Finlândia

Escrita para a Virtual Finland (actual thisisFINLAND) por Professor Doutor em Agronomia e Silvicultura, Jari Parviainen, do Centro Nacional de Pesquisa de Florestas. Tradução: Pekka Posio

As florestas e a silvicultura

Silvicultura1
Com 76 % da sua superfície coberta por florestas, a Finlândia é o país com a mais elevada percentagem de área florestal na Europa. A silvicultura finlandesa pratica-se sob condições excepcionais, devido à localização do país no extremo Norte da Europa e pelo elevado número de proprietários florestais privados. A silvicultura sustentável tem registado um desenvolvimento sistemático, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na silvicultura finlandesa são tomados em consideração, tanto os pontos de vista ecológicos e económicos, como também os sociais. Durante os últimos 40 anos, a taxa de crescimento anual das árvores tem sido até 20-30 % superior aos cortes. Hoje em dia, a quantidade de árvores em crescimento nas florestas finlandesas, é a maior de sempre, inclusive até mesmo ao registado durante a independência do país.
Graças aos incontáveis programas e decisões de protecção, hoje em dia, a Finlândia conta com quase três vezes mais áreas florestais protegidas do que há 30 anos. Em 2000, 10,6 % das florestas finlandesas estavam sob protecção, o que fez com que as florestas finlandesas fossem as mais bem protegidas da Europa. A indústria florestal continua a ser um dos maiores sectores de actividade económica na Finlândia. A silvicultura e os produtos florestais representam aproximadamente 8 % do produto interno bruto do país, e cerca de 30 % das exportações. A nível internacional, a Finlândia é mais dependente das florestas, do que nenhum outro país no mundo.
A Finlândia foi desde sempre pioneira no âmbito da certificação das florestas: o sistema nacional de certificação (o FFCS, ou seja, Finnish Forest Certification System) cobre 95 % das florestas finlandesas. O FFCS alcançou renome internacional e foi integrado no sistema de certificação europeu PEFC (Pan European Forest Certification System).

A Finlândia é o país com as mais densas florestas da Europa

A Finlândia é o país com a mais elevada percentagem de áreas florestais na Europa, sendo mais do que três quartos da superfície do país (ou seja, 23 milhões de hectares) cobertos pelas florestas. Além disso, há cerca de três milhões de hectares de áreas florestais pedrosas e com alguma vegetação arbustiva, o que faz com que a percentagem das áreas florestais seja, no total, aproximativamente 86 % do terreno. Noutras partes da Europa – com a excepção da Suécia, Áustria e Eslovénia – as florestas representam uns 20-40 % dos terrenos. As percentagens menos elevadas são as da Holanda, Dinamarca e Irlanda, onde as florestas cobrem apenas 10 % do território.
A Finlândia é situada na zona boreal de florestas coníferas, caracterizada pelo período de crescimento curto e um número limitado de espécies de árvores. No entanto, graças ao Corrente do Golfo, as condições de crescimento são mais favoráveis do que noutras áreas da mesma latitude, como a tundra e a taiga no Canadá e na Rússia, áreas caracterizadas por um clima mais severo e uma vegetação diferente.
Na Finlândia, o número de espécies é pouco elevado, por causa do efeito das altas cadeias de montanhas europeias que impediam o regresso das espécies de plantas depois da última era glacial. O país consta com apenas quatro espécies de árvores coníferas e um pouco mais de 20 espécies de árvores de folhas caducas autóctones.

As condições especiais e o clima nórdico são desafios para a silvicultura

Mesmo no Sul da Finlândia, o Inverno dura cinco meses, tempo durante o qual o metabolismo das árvores está em fase de descanso, activando-se só em Abril ou Maio, quando começa o novo período de crescimento.
Por causa da situação nórdica do país e a estrutura de possessão das florestas, a silvicultura finlandesa pratica-se sob condições excepcionais. A Finlândia estende-se ao longo de 1100 quilómetros do Norte ao Sul, facto que explica que as condições de crescimento variam tanto entre os dois extremos. O período de crescimento dura cinco meses no Sul, e apenas três meses no Norte. Por consequência, o crescimento anual das florestas é até três vezes maior no Sul do país do que no Norte.
O limite climático para o crescimento de árvores, na Lapónia do Norte, constitua-se numa faixa limítrofe, de dezenas de quilómetros, que se estende até às áreas ricas em florestas no Sul. Ao Norte desta línea crescem apenas arbustos e árvores raquíticas, menores de dois metros de altura. Em direcção ao Sul, o limite de crescimento de árvores é atingido quando o tamanho das árvores individuais excede dois metros. Com a intenção de preservar o limite climático para o crescimento de árvores, em 1922 foi votada a lei de protecção de florestas, impedindo o uso imprudente das florestas e a mudança potencial do limite para o Sul.

A silvicultura finlandesa é uma “silvicultura familiar” em pequena escala

As florestas são uma parte integral do património cultural finlandês. As florestas faziam parte da vida quotidiana, oferecendo protecção durante a guerra, e hoje em dia são uma fonte de calma e tranquilidade. São um elemento imprescindível da paisagem finlandesa, um lugar de recreação, um habitat necessário para muitas espécies e um recurso natural e renovável da economia do país.
PalkaneAs maiores áreas florestais e florestas do Estado situam-se no Norte da Finlândia. No Sul e no Centro do país, nas áreas mais importantes do ponto de vista de silvicultura, dois terços das florestas são propriedades privadas. Nalgumas áreas, a percentagem das florestas privadas é até 80 %. O número de proprietários de florestas é aproximativamente 900.000, devido ao facto de as propriedades agrícolas pertencerem muitas vezes a famílias. Por outras palavras, um finlandês de cada cinco é proprietário de floresta. Por isso, usa-se o conceito de “silvicultura familiar”, para referir à silvicultura praticada por famílias nas suas próprias florestas. Este tipo de estrutura de propriedade das florestas é típico à maioria dos países da Europa Ocidental em geral.
As florestas têm permanecido, durante muito tempo, em possessão das mesmas famílias, o que se explica pelo facto de os finlandeses se sentirem muito ligados ao campo e à vida rural. Contudo, as mudanças na sociedade finlandesa estão a influenciar a estrutura de propriedade das florestas. Há cada vez mais proprietários de florestas que moram nas cidades, e o número de proprietários vai aumentando, pois as propriedades são muitas vezes divididas em partes mais pequenas entre os herdeiros. Hoje em dia, cerca de 70 % dos proprietários moram no campo ou em autarquias pequenas, 10 % em vilas e 20 % em cidades maiores. A proporção de mulheres entre os proprietários está a aumentar continuamente.

A legislação e a cooperação asseguram a saúde das florestas privadas

Por causa do número elevado de proprietários de floresta, as propriedades são relativamente pequenas, sendo o tamanho médio de uma propriedade apenas 26 hectares. A silvicultura privada desempenha um papel muito importante na Finlândia, pois 80-90 % da madeira utilizada na indústria florestal vem das florestas privadas. A legislação relativa às florestas, o programa de planeamento nacional de silvicultura e a cooperação entre os proprietários em diferentes níveis são maneiras de assegurar a sustentabilidade da silvicultura na prática.
PoroA existência da silvicultura sustentável a longo prazo é assegurada, para os próximos cem anos, pela legislação relativa ás florestas, que proíbe a devastação dos recursos. Se, depois dos cortes, a reflorestação não for planeada de maneira apropriada, o uso da floresta é proibida temporariamente e as despesas de arborização podem ser cobradas dos proprietários pela lei. Por outro lado, o Governo concede empréstimos e subsídios para os proprietários de florestas que praticam silvicultura e produção de madeira e papel e sustentáveis, assegurando a protecção das florestas novas, mantendo a diversidade biológica e melhorando o estado das florestas de produção.
A cooperação entre os proprietários de florestas tem como objectivo uma boa gestão dos recursos florestais a largo prazo. As primeiras associações de proprietários de florestas foram fundadas no princípio do século XX. Hoje em dia, o número destas associações é aproximadamente 200. A sua meta principal é ajudar os proprietários de florestas a desenvolver a gestão das florestas, melhorar a rentabilidade e oferecer serviços de consultadoria e formação para os membros das associações. Os proprietários privados podem, por exemplo, obter informação relativa ao comércio da madeira e ao planeamento da silvicultura. Se vários proprietários decidirem vender madeira ao mesmo tempo, os negócios podem resultar mais lucrativos, porque a venda e o transporte de pequenos lotes de madeira é menos rentável. Os membros destas associações pagam uma modesta propina anual, assim como as despesas dos serviços que usarem.

Só espécies de árvores autóctones são cultivadas nas florestas finlandesas

A silvicultura finlandesa baseia-se no uso das espécies autóctones. O seu objectivo é assegurar a produção das matérias-primas de elevada qualidade, preservando, ao mesmo tempo, a diversidade biológica e as condições apropriadas para vários usos de floresta.

As florestas finlandesas são conhecidas como “florestas seminaturais”, o que quer dizer que já não são intactas, mas a sua estrutura continua a ser similar à das florestas virgens. Os estudos sobre a história da silvicultura mostram que a influência do Homem nas florestas, tanto na Finlândia como na Europa Central, é extensiva e de longa duração. As florestas intactas são praticamente inexistentes na Finlândia; pode-se encontrar algumas na Lapónia e na Finlândia Oriental, nas áreas protegidas. A partir do século XVIII até ao princípio do século XX, as florestas finlandesas serviam para a produção de alcatrão, para a indústria mineira e a agricultura de queimada extensiva. Segundo os estudos realizados em 1915 pelo Prof. Dr. Heikinheimo, no princípio do século XX até 50-75 % das florestas finlandesas tinham sido queimadas afim de obter terreno para a agricultura.
Metsatyo
As florestas de produção são controladas por meio de desbastes, realizados 2-3 vezes durante a vida das árvores. Durante o desbaste, tomam-se em consideração também a protecção da biodiversidade e das espécies florestais. O rendimento económico pode ser aumentado até de 50 % através do desbaste, no qual as árvores de má qualidade são eliminadas, de maneira a oferecer mais recursos para as árvores de melhor rendimento. O desbaste aumenta a quantidade da luz na floresta, o que acelera a reciclagem dos nutrientes no solo, e torna possível a criação de vários tipos de combinações de árvores. Uma floresta desbastada serve para várias utilizações.
O modelo de silvicultura finlandês ou escandinavo difere dos modelos utilizados por exemplo na Rússia ou no Canadá, onde as florestas não são desbastadas, mas todas as árvores são cortadas de uma vez, com maquinaria pesada, logo que as árvores tiverem alcançado o tamanho desejado. Por causa da silvicultura finlandesa ser praticada em pequena escala e a maquinaria utilizada ser muito evoluída, a superfície média na qual são realizados os cortes é apenas 1,2 hectares, ou seja, do mesmo tamanho do que por exemplo na Alemanha, na Áustria ou na França.

Uma sustentabilidade assegurada: a taxa de crescimento supera os cortes

As árvores são cortadas utilizando o método de toragem chamado “shortwood method”, o que significa que a desramação e a toragem são realizados já na floresta. Os ramos e as coroas são deixados na floresta, o que assegura uma reciclagem estável dos nutrientes no solo. Às vezes as árvores pequenas e as coroas podem servir de combustível. Este método é bem apropriado para a silvicultura finlandesa, já que o terreno é plano e o desbaste é de uso comum. Na Rússia e no Canadá, usa-se o método que consiste em exploração de árvores inteiras, as quais são levadas ao sítio de processamento em vez de serem tratadas na própria floresta.
TukitA silvicultura sustentável tem sido desenvolvida de maneira sistemática já a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, através de programas de planeamento nacionais. As decisões do Governo, a legislação relativa à silvicultura e a cooperação entre os proprietários privados contribuíram a este processo. Durante os últimos 40 anos, o crescimento das árvores superou os cortes de 20-30 %. Hoje em dia, a quantidade das árvores a crescer nas florestas finlandesas é maior do que nunca durante a independência do país – até dois mil milhões de metros cúbicos.
A protecção das florestas e da biodiversidade tem sido alvo de interesse especial durante as últimas décadas. Graças aos numerosos programas e decisões de protecção, a superfície das áreas protegidas é hoje em dia quase três vezes maior do que há 30 anos. Em 2000, 7,6 % das florestas foram protegidas e 10,6 % ou protegidas ou em uso restringido, o que faz com que as florestas finlandesas sejam as mais protegidas da Europa. Contudo, é provável que mais protecção seja necessária na Finlândia do Sul. Uma grande comissão com representantes de várias autoridades está actualmente a trabalhar com um plano de protecção adicional.

A ecologia paisagista no planeamento da silvicultura pretende preservar as espécies florestais em perigo

Em adição à protecção das florestas virgens, a Finlândia tem desenvolvido métodos ecológicos no âmbito da chamada “ecologia paisagista”. O seu princípio é que, nas florestas de produção, os sítios com valor natural especial têm de ser protegidos. Estas áreas representam cerca de 2-10 % das florestas, dependendo da região.
Das cerca de 34.000 espécies de animais finlandesas, a metade são espécies florestais. O estado das espécies em perigo é controlado regularmente. Segundo os resultados da última pesquisa, umas 1500 espécies são em perigo de extinção, 38 % das quais vivem nas florestas. As espécies em perigo representam apenas 4 % das espécies conhecidas, uma percentagem claramente inferior ao término médio europeu. A maioria dos animais que vivem nas florestas naturais podem sobreviver nas florestas de produção, mas alguns habitats naturais como troncos apodrecidos ou árvores queimadas são de importância fundamental.
A natureza finlandesa nunca correu grandes perigos por causa da silvicultura. Normalmente as árvores são cortadas no Inverno, quando o solo está gelado e coberto de neve, o que impede os danos possíveis causados pela maquinaria ou pelo tratamento e transporte das árvores. A prevenção da poluição da água é tomada muito a sério no âmbito da silvicultura. Faixas protectoras de árvores são deixadas às margens dos lagos, fontes, e rios, e o uso dos fertilizadores é proibido nas áreas onde há lençóis de água subterrâneos.

Os direitos relativos às florestas e o uso múltiplo da floresta para além da produção florestal

Qualquer pessoa tem o direito de se deslocar livremente nas florestas finlandesas. Este direito tradicional permite a todos andar, fazer esqui, ir de bicicleta e andar a cavalo nas florestas privadas, desde que não façam dano à natureza. No entanto, o uso de veículos com motores requer sempre uma autorização especial. Sob condição de não causar dano, é sempre permitido acampar e apanhar flores, bagas e cogumelos, desde que não se trate de espécies protegidas. Acender fogueiras de acampamento requer uma autorização por parte do proprietário, e abusar os direitos de maneira a danificar a natureza ou a propriedade privada é proibido.
PicnicO uso múltiplo da floresta para além da produção florestal tem sido alvo de grande interesse. Os principais produtos e serviços (chamados “non-wood forest products” em inglês) que têm algum valor económico incluem a caça, recolha de bagas, cogumelos, líquen, e o turismo florestal. A nível local e para pessoas individuais, estes produtos e serviços são uma fonte de rendimentos importante. O produto mais rentável é a carne de caça.
Apesar de a grande variedade dos produtos obtidos das florestas, o seu valor é relativamente pequeno comparado com o valor da madeira; estima-se que este valor é aproximativamente 2-3 % do rendimento anual da madeira. Contudo, os produtos outros que madeira são uma fonte de rendimento importante para as famílias, oferecendo, ao mesmo tempo, actividades de lazer agradáveis ao ar livre, o que é hoje em dia cada vez mais importante para os habitantes de cidades.

A silvicultura continua a ser o maior sector de comércio

Na Finlândia, o uso industrial das florestas começou na segunda metade do século XIX. Há cem anos, os produtos da indústria florestal representavam 80 % da exportação finlandesa. Hoje em dia, o papel de impressão e de escritura de elevada qualidade representa mais de 50 % do valor dos produtos de indústria florestal, enquanto a madeira serrada e tábuas formam cerca de 15 % do valor das exportações.
A importância da silvicultura é muitas vezes avaliada tendo em conta toda a indústria relacionada com ela, ou seja, o chamado sector florestal. Este inclui os seguintes ramos: silvicultura, indústria florestal, produção de maquinaria para a indústria florestal, parte da indústria química, automatização e sistemas de embalagem, indústria gráfica, produção de energia, transportes e empresas de consultadoria florestal. Tudo isto representa perto de 35 % do valor bruto da exportação na Finlândia.
UPMRelativamente ao seu tamanho, a Finlândia é um dos países mais dependentes das florestas e do sector florestal no mundo. O movimento de vendas tem duplicado durante os últimos anos, através de aquisições de companhias estrangeiras, e a Finlândia tem-se tornado num verdadeiro centro de silvicultura e indústria florestal a nível europeu, por causa da experiência e habilidade que se têm acumulado não só nas companhias, mas também nas universidades, escolas superiores e institutos de pesquisa.
O maior mercado da indústria florestal para a Finlândia é a União Europeia, dentro da qual se efectua cerca de 70 % da exportação, principalmente com a Alemanha, a Grã-Bretanha, a França e os Países Baixos. O resto da União representa 9 % da exportação, e o resto do mundo 20 %.
O sector florestal emprega aproximativamente 140.000 pessoas na Finlândia, das quais dois terços trabalham no âmbito da indústria florestal ou silvicultura. Por outras palavras, 6 % do número total dos empregados trabalham para o sector florestal, mas o número dos empregos tem diminuído a partir do princípio dos anos 90, por causa da automatização do trabalho e fusões de empresas florestais. No entanto, a proporção do sector florestal tem crescido de 1-2 % cada ano durante as últimas três décadas. O sector florestal é importante também a nível europeu, porque a indústria de produção florestal representa 10 % da produção industrial total da União Europeia.

Os cargos ecológicos da silvicultura são controlados estritamente

Sendo o maior consumidor dos recursos naturais, a indústria florestal tem que se responsabilizar do meio ambiente. De facto, este ramo de indústria tem invertido muito na protecção da natureza: 88 milhões de euros em 2000, ou seja, 10 % dos investimentos domésticos da indústria florestal.
Graças às novas tecnologias e métodos de produção melhorados, as descargas no meio aquático reduziram-se num fragmento do que eram há 20 anos atrás, ao passo que a quantidade da produção tem aumentado constantemente. Os valores de CBO (carência bioquímica de oxigénio) e as quantidades de descargas de substâncias organocloradas foram reduzidos a apenas 10 % do que eram antes. Apesar de a redução das descargas ser sempre importante, hoje em dia as questões mais actuais são as relacionadas com o ciclo de vida dos produtos, o uso eficaz dos recursos naturais, a reciclagem dos materiais e a utilização de fontes de energia renováveis.
No futuro, a utilização da fibra reciclada vai aumentar consideravelmente, e o objectivo é que, em 2010, 50 % do papel produzido na Finlândia seja fabricado utilizando material reciclado. Os Finlandeses reciclam 67 % do papel que usam, uma percentagem muito elevada considerando que se trata de um país com uma população escassa e dispersa; a percentagem média no mundo é 40 %. No entanto, já que apenas 10 % do papel e cartão é utilizado por consumidores privados, a percentagem do papel reciclado não pode ser aumentada pelos consumidores. Contudo, a situação é diferente na Europa Continental, onde as fábricas finlandesas usam maioritariamente fibra reciclada.
A indústria florestal consume energia de maneira intensiva, requerendo aproximadamente um terço da energia consumida na Finlândia. A maior fonte de energia da indústria florestal é a madeira, convertida em energia através do aproveitamento da casca e dos resíduos de madeira, serradura e lixívia negra (um subproduto da produção de papel), as quais são queimadas para produzir energia termal. Estes subprodutos obtidos durante o processamento da madeira fornecem 70 % do material usado para a produção de energia usada na indústria florestal, e a percentagem das fontes de energia como a madeira, a turfa e o gás está a aumentar, diminuindo, assim, a necessidade de recorrer a carbono e a óleo combustível pesado.

A certificação é a palavra-chave da silvicultura sustentável

A certificação tornou-se, em curto tempo, num procedimento utilizado para assegurar que a gestão florestal e o processamento da madeira cumprem as normas e os requisitos. A verificação é efectuada por um terceiro, o qual concede certificados para as florestas que cumprem os requisitos. O principal objectivo da certificação é dar aos consumidores dos produtos de madeira informação sobre a gestão sustentável da floresta em questão. O certificado é um documento assegurando que o crescimento da floresta excede os cortes e que as espécies de plantas e animais são protegidas.
FagervikAté 95 % das florestas finlandesas (22 milhões de hectares) são certificadas conforme os requisitos do sistema finlandês de certificação de florestas (FFCS – Finnish Forest Certification System). No total, 350.000 proprietários de florestas comprometeram-se a seguir os critérios do sistema de certificação.
O FFCS é parte do sistema de certificação europeu PEFC (Pan European Forest Certification System), no qual se aliaram todos os países europeus onde a maioria das florestas pertence a proprietários privados e consiste em propriedades florestais pequenas. Nos finais do ano 2001, havia florestas certificadas conforme o PEFC não só na Finlândia, mas também na Noruega, na Alemanha, na Suécia, na Suiça e na Áustria, sendo a superfície total das florestas certificadas mais do que 38 milhões de hectares. O número de florestas que fazem parte do PEFC está a aumentar constantemente, ao passo que novos países se aliam ao sistema.
MustikkaContudo, o PEFC tem um concorrente, o FSC (Forest Stewardship Council), favorecido por algumas organizações ecológicas. O FSC foi criado para a protecção das florestas tropicais, mas recentemente tem alcançado sucesso na Europa e na América do Norte, em particular no âmbito da certificação de áreas florestais de maior superfície e de florestas estatais. Já que ambos sistemas, o FSC e o PEFC, têm como objectivo uma silvicultura e indústria florestal sustentável, seria ideal alcançar uma situação na qual os dois sistemas pudessem ser complementares. A certificação em si é apenas um dos métodos de promover a silvicultura ecológica e sustentável, e não pode excluir a infra-estrutura do sector florestal criada pela legislação, acordos nacionais, sistemas de financiamento e organizações activas.
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