domingo, 10 de abril de 2011

AGROECOLOGIA, RECUPERAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, REFORMA AGRÁRIA E COMBATE À POBREZA

Entrevista: Ana Maria Primavesi "O combate à pobreza é básico e depende da recuperação ambiental e da Agroecologia" Leandro Brixius, Jornalista da Emater/RS

Praticar a agricultura ecológica, como vem defendendo durante décadas, e continuar espalhando o conhecimento sobre a necessidade de compatibilizar agricultura com preservação ambiental são, atualmente, as principais ocupações da professora e pesquisadora Ana Maria Primavesi. Nascida em 1920, na Áustria, Ana Maria fala, desde a década de 40, em agricultura ecológica e, principalmente, sobre solos, como evidencia seu livro Manejo Ecológico do Solo, obra de referência sobre o tema em diversas universidades latino-americanas e européias. Hoje, além de pequena agricultora em Itaí, no interior de São Paulo, é pesquisadora da Fundação Mokiti Okada e realiza palestras em diversos países. "Estou plantando minha terrinha, trabalho no conselho científico da fundação e, de resto, estou andando por toda a América Latina dando cursos", contou Ana Maria Primavesi nesta entrevista à Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, realizada durante sua participação como palestrante no III Seminário Internacional sobre Agroecologia, realizado em setembro, em Porto Alegre. Além disso, fala sobre a diferença entre agricultura ecológica e orgânica, transgênicos, reforma agrária e, é claro, manejo do solo.

Revista - A Sra. começou a falar em agricultura ecológica já na década de 40, numa época em que não se falava em cuidados com a preservação do meio ambiente. Como foi esse início?

Ana Maria - Eu ainda vivia numa época em que a agricultura química praticamente não existia. A gente sabia que existiam os adubos químicos, pois as pessoas, em 1942, 1943, já reclamavam dos efeitos, não queriam mais comer os produtos com adubos químicos porque não tinham gosto. Os alimentos eram muito bonitos, mas não tinham sabor. As firmas, nessa época, diziam que era imaginação das pessoas. Quem queria botava, quem não queria, não botava. Nos anos 60, começou a campanha da Revolução Verde, que aconteceu quando as firmas americanas estavam indo à falência e precisaram procurar desesperadamente uma solução. Então o mister Borlaug (Norman Borlaug, um dos precursores da Revolução Verde), disse que a solução era justamente abrir a agricultura para a indústria química e mecânica. Então, eles obrigaram as pessoas a fazer monocultura. No Brasil, não existia monocultura, a não ser de cana-de-açúcar. Com a monocultura, começaram os problemas das doenças e era preciso colocar veneno. Uma avalanche em que um arrastava o outro. O adubo químico, basicamente, é formado por três elementos e a planta necessita de 45. Aí está o grande problema. Com esses três elementos, a planta está mal nutrida, subalimentada. Com isso, começaram todas as doenças e o decorrente uso dos pesticidas. Como cada pesticida está baseado em algum mineral, induzia a uma deficiência de minerais que estavam em proporção com esse e então foi uma avalanche cada vez pior.

Revista - O que é o manejo ecológico do solo?

Ana Maria - No manejo ecológico do solo, você tem que ter duas coisas: não virar a terra mais profundamente do que ela suporta (15 centímetros) e colocar a matéria orgânica sempre na parte superficial para ter uma decomposição aeróbica. Com isso, você melhora o solo incrivelmente. Na Argentina, há dez anos trabalha-se com agricultura orgânica. Eles enterram a matéria orgânica até 40 centímetros e a terra está dura. Por quê? Porque esse negócio não dá certo. Primeiro, eles destroem a estrutura do solo, a terra se assenta, não tem poros, não cria nada, nem fixa nitrogênio. Então, é um fracasso total. E ainda custa caro!

Revista - Como a Sra. vê, atualmente, o manejo dos solos?

Ana Maria - No momento, está completamente errado, pois pega-se o manejo utilizado pelos americanos e aplica-se aqui no Brasil. Por exemplo, o potássio. Abaixo de 15ºC, o potássio não é absorvido. Cálcio, com terra fria, é cinco vezes menos absorvido que em terra quente. Então, eles (os agricultores americanos) necessitam um solo super rico para a planta absorver alguma coisa. Para nós, não. Então, eles mantêm o solo limpo com herbicida e capina para captar calor, porque o máximo que o solo consegue captar é 14ºC. Aqui não, aqui vai mais. Eu medi 74ºC, e um professor que trabalha na África mediu 83ºC. Então, há uma diferencinha. E, a partir de 32ºC, a planta já não absorve mais. Água quente ela não absorve. E nosso problema é que a matéria orgânica que é colocada tem que servir à planta e não à máquina que estão importando.

Revista - Por que as remoções profundas não são indicadas para os solos tropicais? Ana Maria - Nos trópicos, 80% dos microorganismos encontrados no solo são fungos, que produzem enorme quantidade de antibióticos e têm sua vida inibida abaixo de 15 centímetros. Antigamente, quando trabalhavam com aradinho de boi ou de burro, a lavração não ia abaixo de 12 ou 15 centímetros e a terra se mantinha mais ou menos na parte superficial. Agora, com arado de tração mecânica, pode-se entrar de 30 a 40 centímetros, virar a parte morta para cima, que é desmanchada pela chuva, entra solo e entope os poros. E aí a terra fica dura, compactada. Todos me perguntam o que fazer contra a compactação. No trópico não se pode fazer aração profunda de jeito nenhum. Tem que ser rasa porque a terra abaixo está morta. Na América do Norte não, lá a terra está viva até abaixo de 30 centímetros. Nos Estados Unidos ainda há agregação por congelação, que não existe aqui.

Revista - O plantio direto é colocado, muitas vezes, como uma solução para o manejo dos solos. Qual a sua opinião?

Ana Maria - Plantio direto tem vantagens e desvantagens. E a grande vantagem, que vi na única região que conheço onde o plantio direto é 100% certo, os campos gerais do Paraná, os produtores conseguem uma camada de seis ou sete centímetros de palha acima do solo. Nas outras regiões, onde plantam monoculturas de soja, eles têm no máximo 1,5 centímetros, o suficiente para proteger o solo contra a erosão. É uma grande vantagem. Do outro lado, a pressão da máquina é horrível. No plantio direto, a máquina é até cinco vezes mais pesada que a de plantio normal e, então, a compactação é violenta. O segundo problema é que, no plantio direto, a rotação de culturas é necessária, pois do contrário aumentam as pragas. E não só aumentam, mas elas mudam também. Praga das folhas passa a ser praga da raiz. Então há uma enorme quantidade de pragas que agora atacam a raiz. Se eu sei a deficiência que há não tem problema, eu vou colocar nutriente e a praga desaparece. Se eu não sei, o combate é muito complicado, porque com veneno não se atinge. Então, o que fazem? Colocam o veneno já na linha de plantio. Então, a planta está muito mais venenosa que com o cultivo normal.


Revista - Lutzenberger falava em agricultura regenerativa. Outros falam em agricultura orgânica. A Sra. refere-se a agricultura ecológica. A Sra. poderia abordar essa escolha e relacionar as diferenças entre agricultura ecológica e orgânica?

Ana Maria - É completamente diferente. Na orgânica, você trabalha pelas normas e as normas não fazem nada mais do que trocar um agente químico por um orgânico. Em lugar de, por exemplo, pegar adubo químico, você usa agora composto e, obrigatoriamente, faz composto. Em lugar de algum defensivo químico você usa um caldinho. Mas os caldinhos também podem ser tóxicos, também podem ter efeitos colaterais. Sempre há minerais dentro. Eu não posso usar todos os dias. Então, o grande erro da agricultura orgânica é que, primeiro, continua com toda a visão factorial, fator por fator, continua combatendo em lugar de evitar. No final, a melhora que se consegue é muito pouca. Se produz mal porque não se sabe onde colocar a matéria orgânica, a produção, normalmente, é miserável. Então, eu não vejo muita vantagem com esse tipo de agricultura. A não ser que é muito mais trabalhoso e o agricultor é muito mais sacrificado. Agora, na ecológica, eu vejo o inteiro. Então, eu vejo porque apareceu o sintoma. Eu não digo só “ah, tem um sintoma aqui, vamos combater”. Não, pergunto primeiro o por quê? Em minha propriedade, eu plantei milho e houve infestação da lagarta-do-cartucho. A lagarta-do-cartucho é muito difícil de combater porque, se não tem aviação agrícola, não é possível pulverizar com bomba normal, já que o defensivo tem que entrar por cima. Mas eu não pergunto como combater essa lagarta, mas por que apareceu essa lagarta. E a lagarta só ataca porque o milho está deficiente em boro, então eu coloco cinco, no máximo oito quilos de bórax por hectare e pronto. Não tem lagarta-docartucho porque quando tem boro, não aparece mais, não consegue comer o broto.

Revista - Quais são os desafios que se enfrenta hoje para alcançar uma agricultura socialmente justa e ecologicamente correta?

Ana Maria - Primeiro, nós precisamos de fato uma reforma agrária, mas não uma reforma agrária como está sendo feita hoje. Por exemplo, no Paraguai, é dada a melhor terra para o assentado e não a pior. Aqui no Brasil, é só terra marginal. E segundo, eu não posso simplesmente assentar qualquer pessoa. Reforma agrária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina funciona, porque são assentados ex-agricultores. Mas, se eles já perderam uma vez sua terra, vão perder outra vez, porque a tecnologia que eles têm não presta. Então, eu teria que ter uma assistência técnica muito boa para mostrar como fazer para não perder novamente a terra. O terceiro ponto é que eu não posso simplesmente assentar como eles fizeram na Bolívia, onde retalharam a terra e cada um recebe meio hectare. Meio hectare não dá para uma família viver normalmente. Então, já não é reforma agrária, é criação de miséria. No Nordeste, por exemplo, o governo dá um pedaço de terra e uma cabra. É muito bom, não?! Mas a cabra acaba com tudo, não deixa mais nada e forma deserto. Não é uma solução! O que ocorre com o homem que tem uma cabra? Ele pega sua terra e planta. Mas ele já tem um nível de pobreza em que não produz mais, só quer comer. Está tão faminto que não pensa mais em produzir, só em comer. Além disso, o agricultor realiza queimadas cinco vezes por ano. A terra, depois de cada queimada, está pior, mais dura, menos produtiva. No fim, crescem só umas coisinhas duras, que nem sustentam a cabra. Então, pela miséria aumenta a pobreza e pela pobreza aumenta a miséria. Por exemplo, o governo dá uma cesta básica de alimentos para os pobres. Mas isso não é solução, porque o homem, com isso, fica degradado de pobre para mendigo. Ele não era mendigo antes, ele quer trabalhar. O governo não sabe o que fazer porque não quer contrariar os ricos que tem lá na região. Por isso, acha mais fácil dar uma cesta básica para cada um e não entrar mais profundamente no problema. Tem que ver que a pobreza não se combate com esmola! Eu tenho que ensinar o povo a trabalhar sua terra, mas ele tem que ter a possibilidade de fazer isso. Não posso simplesmente comprar cinco mil cabras e soltar pelo Nordeste.

Revista - É possível obter maior produtividade e também preservar o meio ambiente?

Ana Maria - Se você não preserva o meio ambiente, a produção sempre vai ser baixa. Nós temos uma série de dados que mostram que, em uma região descampada, mas com suficiente chuva ou irrigação, a colheita baixa até a metade do que poderia ser normalmente somente pela ação do vento. Em uma época de seca, a colheita pode ser reduzida em até cinco vezes. Isso quer dizer que, se há metade da área florestada é possível colher idêntica quantidade que é colhida hoje no dobro da área que sofre com a ação dos ventos. Então, quando dizem que não pode ter Agroecologia, não pode fazer recuperação do ambiente, porque precisam de toda a área para plantar, tudo bem, mas colhem tanto menos que não resolve o caso. E afora isso, pode-se implantar, nesse mato, árvores que produzam. Por exemplo, se tiram toda a Mata Amazônica para plantar soja e depois colher uma miséria, poderiam enriquecer o mato com cajueiro, castanheiro e outras plantas. Um estudo do governo do Acre constatou que enriquecer a mata dá 13 vezes mais lucro do que transformar em pastagens ou lavouras de soja. Então, por que não fazem? Porque os americanos querem vender as porcarias deles.

Revista - Qual sua opinião sobre a concessão de subsídios públicos para a agricultura?

Ana Maria - Antigamente, a agricultura financiava a indústria e mantinha o Estado. Ela funcionava. Hoje, a agricultura depende de créditos e está sempre endividada e quase quebrando. Então, talvez a agricultura precise do recurso público para se recuperar, porque ela está completamente estragada pela tão famosa Revolução Verde. Mas, através da Agroecologia pode-se produzir tanto que a agricultura pode ser forte de novo. Eu não quero explorar, eu quero colocar a agricultura saudável de novo na região! Sem a recuperação do meio ambiente a agricultura não funciona bem. Sem recuperar o meio ambiente e sem agricultura você não vai combater a pobreza e outra vez a pobreza destrói. Você não pode dizer: “para mim não interessa, porque eu vou ter o suficiente para comer”. Se não tem água, ninguém come. Você não pode comer seu dinheiro. Sem água não tem o que beber e nada para plantar e então acaba tudo. Então o combate à pobreza é básico e tem que ser feito ao mesmo tempo que você faz a recuperação do ambiente e uma agricultura baseada na Agroecologia.


Fonte: Agroecol. e Desenvol. Rur. Sustent. Porto Alegre, v.3, n.4, out/dez 2010

terça-feira, 8 de março de 2011

AGROECOLOGIA PODE DOBRAR ALIMENTOS SEGUNDO DADOS DA ONU, SENDO A ALTERNATIVA POR EXCELÊNCIA

Muitos agricultores em países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década, aderindo à agricultura ecológica e deixando de usar pesticidas e fertilizantes químicos, afirma um relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira.
Plantas que capturam insetos no Quênia e o uso de patos no Bangladesh para consumir ervas daninhas em arrozais estão entre os exemplos de medidas tomadas para aumentar a produção de alimentos para a população mundial, que a ONU diz que chegará a 7 bilhões de pessoas este ano e a 9 bilhões até 2050.
"A agricultura está numa encruzilhada", segundo o estudo de Olivier de Schutter, o relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, em uma campanha para reduzir os preços recordes dos alimentos e evitar o modelo de agricultura industrial, que tem custo alto e é dependente do petróleo.
A "agroecologia" também pode tornar a agricultura mais resistente ao impacto projetado das mudanças climáticas, incluindo enchentes, secas e a alta do nível dos mares, que, segundo o relatório, já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.
Até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80 por cento nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger contra pragas, diz o relatório.
Projetos recentes em 20 países africanos resultaram na duplicação das safras no prazo de três a dez anos. De acordo com o levantamento, essas lições podem ser reproduzidas em outras partes do mundo.
"A agricultura ecológica correta pode elevar significativamente a produção e, no longo prazo, ser mais eficaz que a agricultura convencional", disse De Schutter à Reuters, referindo-se a medidas como maior uso de adubos naturais ou de árvores altas para fazer sombra a cafezais.
Os benefícios serão maiores "em regiões onde poucos esforços foram investidos na agricultura, especialmente na África subsaariana", disse ele. "Também há várias experiências muito promissoras em partes da América Latina e da Ásia."
"O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o custo do petróleo", disse ele. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços dos alimentos.
"Se os preços dos alimentos não forem controlados, e as populações não puderem se alimentar, veremos cada vez mais Estados conturbados e o surgimento de mais Estados falidos", disse De Schutter.
De Schutter também pediu uma campanha de diversificação da produção agrícola global, para reduzir a dependência sobre o arroz, trigo e milho nas dietas.
Mas, segundo ele, os países desenvolvidos não conseguirão aderir rapidamente à agroecologia devido a sua "dependência" de um modelo agrícola industrial, baseado no petróleo. Mesmo assim, para o autor do estudo, é necessário um esforço global de longo prazo em direção à agricultura ecológica.
Cuba demonstrou que essa mudança é possível, depois que a queda da União Soviética, em 1991, cortou seu suprimento de fertilizantes e pesticidas baratos. Após uma queda nos anos 1990, a produção agrícola cubana subiu outra vez, na medida em que os agricultores adotaram métodos mais ecológicos de cultivo.
Fonte: Terra Notícias
Comentário: Mais um motivo para os cursos de Ciência Agrárias (Agronomia, Florestal, etc) e seus docentes abrirem mais a cabeça e inserir nos currículos dos respectivos cursos disciplinas correlatas à Agroecologia como também mais um motivo para reclicarem as abordagens de suas disciplinas fazendo a interface com este conhecimento que é bastante discriminado principalmente nas disciplinas de manejo florestal, estatística e experimentação florestal.

sábado, 5 de março de 2011

GRUPO SUZANO QUER INVESTIR NO CULTIVO DE EUCALIPTO EM ALAGOAS

O grupo Suzano, especializado na fabricação de papel e celulose, pretende investir no cultivo de eucalipto em Alagoas. Nesta terça-feira (1º), executivos do conglomerado, Johann Michael Miklós e João Flávio da Silva tiveram audiência com o governador Teotonio Vilela Filho e os secretários Luiz Otávio Gomes (Planejamento e Desenvolvimento) e José Marinho Júnior (adjunto, da Agricultura) para discutir contrapartidas e vantagens competitivas do Estado.

A Suzano Papel e Celulose quer expandir seus negócios no Nordeste e, para tanto, quer ampliar a área de cultivo de eucalipto e construir nova fábrica na região. Em Alagoas, segundo o diretor Johann Michael Miklós, a ideia do Grupo é investir no cultivo de eucaliptos para produção de pellets de madeira – insumo de madeira reflorestada utilizada na geração de energia – com destino certo para as termoelétricas na Europa. Com faturamento anual de R$ 6 bilhões, o grupo brasileiro detém uma das melhores tecnologias florestais do País.

No encontro, Miklós disse que para viabilizar o investimento, o Suzano necessita de 30 mil hectares de área para cultivo de eucalipto e mais 70 hectares para a construção da unidade industrial. Vilela, por sua vez, afirmou que Alagoas dispõe de áreas para ambos empreendimentos. Além disso, os executivos do grupo explicaram quais seriam suas demandas do ponto logístico e infraestrutural.
Cultivo de eucalipto em Alagoas

Há mais de dois anos o Governo do Estado vem estudando a implantação da cultura do eucalipto em solo alagoano. Os avanços são grandes e podem ser vistos em regiões diferentes do Estado, onde foram instaladas unidades experimentais da planta.

A introdução do cultivo do eucalipto em Alagoas vem sendo acompanhada por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Nas unidades experimentais foram construídos locais que armazenam, clonagem, com o objetivo de identificar quais os tipos de plantas que melhor se adaptam ao solo e clima de Alagoas, além de identificar possíveis pragas.

O secretário Luiz Otavio Gomes, presente à reunião, informou que a Secretaria de Estado da Agricultura possui técnicos com conhecimento do projeto de implantação da cultura do eucalipto para responder sobre os estudos científicos, e a área econômica do Governo de Alagoas está à disposição para orientar como o empreendimento poderá solicitar os incentivos governamentais. “Nosso projeto recebe orientação e acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente, o que garante a preocupação do Estado com o desenvolvimento sustentável”, defendeu o secretário.

Segundo o secretário-adjunto José Marinho Júnior, os fornecedores de cana-de-açúcar de Alagoas estão entusiasmados com a possibilidade de utilização de algumas áreas para o cultivo do eucalipto, podendo atender a empresa Suzano Papel e Celulose, como ocorre hoje com o setor sucroalcooleiro. Quanto a isso, os executivos garantiram que a empresa tem tradição em utilizar áreas em forma de parceria, sendo mais um ponto a favor de Alagoas.

As experiências com o plantio do eucalipto apresentam a planta como uma alternativa econômica, podendo em Alagoas ser cultivada em algumas áreas onde não é mais viável o plantio da cana, especialmente na região Centro-Norte de Alagoas, que abrange os municípios de Cajueiro, Viçosa e outros.

Outros benefícios são o ganho ambiental e a possibilidade de cultivo em pequenas propriedades, sendo mais uma cultura para o agricultor familiar. O eucalipto hoje pode ser utilizado para atender as necessidades de diversos mercados, como siderúrgico, energético, móveis, construção civil e pecuária.

O estudo de implantação somente é possível através de convênio entre os parceiros do projeto. Além do governo do Estado, por meio das Secretarias de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico, da Agricultura e da Ciência e Tecnologia/Fapeal, os empresários, por meio da Federação das Indústrias, Federação da Agricultura, Sebrae Alagoas, e outros, também são participantes do projeto.

Fonte: Com informações da Agência Alagoas.
Comentário: E no Estado de Pernambuco, onde estão os resultados dos experimentos realizados com esta cultura? Será que algum dia veremos a divulgação destes resultados de forma ampla na sociedade e a articulação de parcerias para que isto também se torne uma realidade em PE?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AS TRAGÉDIAS DAS CHUVAS NO BRASIL E AS ALTERAÇÕES PROPOSTAS PARA O CÓDIGO FLORESTAL

As trajédias que as chuvas têm causado no Brasil e no mundo nos mostram características comuns que precisamos refletir e considerar quando se fala em alterações do Código Florestal Brasileiro:
- Como alguns colegas eng. florestais já têm comentado em redes profissionais e conforme também podemos observar nas imagens da mídia, fica evidente que as áreas afetadas no Brasil com desmoronamentos (Mata Sul de Pernambuco e as demais localidades das Regiões Sul e Sudeste) são áreas que apresentam simultaneamente ou não os seguintes problemas: áreas com declividade acentuada, solos rasos, rios e córregos sem APP e alterados, leitos de corregos e rios, canais rasos, rocha rasa, topo de morro desmatado em sua maior parte, presença de urbanização sem planejamento público (ou quando tem é só no papel), APP's desmatadas e transformadas em cidades e bairros, e, ausência de fiscalização e de áreas de refugio para o escoamento das águas (áreas mais baixas) sendo estas áreas habitadas não deixando assim local para escoamento da pluviosidade;
* Então, pergunto: será que as propostas de alterações do Código Florestal e os setores que defendem as alterações deste Código estão conscientes e levando em consideração a importância das reservas legais e das APP's como elementos essenciais para que estas catástrofes sócioeconômicas-ambientais não ocorram?
- Pelo que vejo, haja vista o que a Excelentíssima Senhora Senadora Kátia Abreu andou falando na recente COP-16 e o que a bancada do agronegócio anda defedendo como propostas de alterações do Código Florestal, percebo que as propostas de alterações realmente não consideram a complexidade e necessidade da preservação e conservação ambiental e as consequências das alterações propostas para o Código Florestal...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

NOVO MINISTRO DA AGRICULTURA PRETENDE RETIRAR O SETOR FLORESTAL DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E LEVAR PARA A PASTA DA AGRICULTURA

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, quer levar para sua pasta as decisões sobre setor de florestas plantadas, que hoje competem ao Ministério do Meio Ambiente. Segundo o jornal Valor Econômico, Rossi ainda não levou a questão à presidenta Dilma Rousseff.

A disputa pelas florestas plantadas se explica pelo volume de investimentos, nacionais e estrangeiros, mais de R$ 14 bilhões para plantio de florestas e aquisição de terras até 2014.

Pesam, também, as discussões ambientais, sobretudo as questões vinculadas à reforma do Código Florestal Brasileiro. O ministro argumenta que a transferência de ministério “reduziria as amarras burocráticas e daria mais visibilidade ao setor”.

O ministro tem o apoio da Associação Brasileira das Empresas Florestais (Abraf), que inclui Votorantim, Gerdau, Veracel, Ripasa, Suzano, Duratex, Acesita, Stora Enso e Klabin, etc. Hoje, segundo a Abraf, são necessárias 32 licenças e registros diferentes do plantio ao corte das árvores.

O setor diz que o Meio Ambiente tem excessivo enfoque na preservação da Amazônia. “Mais vibração e menos cobranças do governo”, é o que reclama o diretor-executivo da Abraf, César Augusto dos Reis.

Fonte: Painel Florestal