segunda-feira, 11 de abril de 2016

POLO NORTE ESTÁ SE MOVENDO PARA O LESTE...

Cientistas enfim descobrem por que o Polo Norte está se movendo para o leste

 
© Fornecido por Gizmodo
Algo estranho está acontecendo com o nosso planeta. Por volta do ano 2000, o polo de rotação do Norte começou a migrar para o leste em um ritmo vigoroso. Agora, cientistas do JPL (Jet Propulsion Laboratory), da NASA, descobriram o que está acontecendo - e os humanos estão por trás disso.
O eixo de rotação de qualquer planeta, incluindo o nosso, está em constante fluxo. É que planetas não são esferas perfeitas, e sua massa está sempre em movimento. "Se você retira material de determinada área, você quebra a simetria, e o eixo de rotação começa a se mover", diz Surendra Adhikari, do JPL, ao Gizmodo.
Através de observações cuidadosas e modelos matemáticos, Adhikari descobriu que a recente alteração polar do nosso planeta tem duas causas: o derretimento das camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida Ocidental; e mudanças na distribuição global da água armazenada em terra.
Ambos estão relacionados a um único fenômeno subjacente: "a mudança climática está comandando o movimento do eixo polar", disse Adhikari. Os resultados foram publicados na revista Science Advances.

polo norte se move (2)  
© Fornecido por Gizmodo polo norte se move (2)
Cientistas vêm medindo cuidadosamente o eixo de rotação da Terra desde 1899. Antes do século XXI, o polo vagava em direção a Hudson Bay, Canadá, movendo-se a uma taxa de cerca de sete centímetros por ano. Acredita-se que esta migração a longo prazo está relacionada à perda da camada de gelo Laurentide, que cobriu o Canadá e grande parte do norte dos EUA durante a última era do gelo.
Mas por volta da virada do século, os nossos eixos de rotação seguiram um novo rumo. O polo norte de rotação agora está indo para o leste, ao longo do meridiano de Greenwich, e está se movendo duas vezes mais rápido que antes. "Os cientistas acreditavam que isso devia estar relacionado ao derretimento da camada de gelo da Groenlândia", disse Adhikari.
No entanto, as camadas de gelo não contam a história completa. Ao combinar modelos de distribuição de massa com dados do satélite GRACE (Experimento de Recuperação de Gravidade e Clima) da NASA, Adhikari encontrou outro fator crítico: o armazenamento de água no solo - especialmente em toda a Eurásia.
Os seres humanos movem grandes volumes de água subterrânea através de bombeamento, e também indiretamente através da mudança climática, que faz alguns lugares se tornarem mais secos e outros, mais úmidos. Tomadas em conjunto, essas mudanças estão fazendo o nosso planeta tombar ligeiramente para o lado.

polo norte se move (1)  
© Fornecido por Gizmodo polo norte se move (1) 
 
Fonte:  http://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/cientistas-enfim-descobrem-por-que-o-polo-norte-est%C3%A1-se-movendo-para-o-leste/ar-BBrCqvK?li=AAggNbi&ocid=mailsignoutmd

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

NÍVEL DOS OCEANOS CONTINUA SUBINDO RAPIDAMENTE...



O nível dos oceanos subiu mais rapidamente ao longo do século 20 do que nos três últimos milênios, devido às alterações climáticas, indica um estudo publicado na segunda-feira (22).
 A partir de novos cálculos, especialistas estimam que, entre 1900 e 2000, os oceanos subiram cerca de 14 cm por causa do degelo

Foto: Agência Brasil
Entre 1900 e 2000, os oceanos e os mares do planeta subiram cerca de 14 centímetros, por causa do degelo, principalmente no Ártico, revelaram os autores de estudos publicados na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Os climatólogos estimaram que, sem a elevação da temperatura do planeta observada desde o início da era industrial, a subida do nível dos oceanos teria correspondido a menos da metade observada nos últimos cem anos.
O século passado “foi excepcional em comparação com os últimos três milênios e a elevação no nível dos oceanos acelerou nos últimos 20 anos”, disse Robert Kopp, professor do departamento de Ciências da Terra da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos.
Segundo este estudo, feito a partir de uma nova abordagem estatística concebida pela Universidade de Harvard, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o nível dos oceanos baixou cerca de oito centímetros entre o ano 1000 e 1400, período marcado por um arrefecimento planetário de 0,2°C.
Atualmente, a temperatura mundial média está um grau acima do que a do final do século 19.
Para determinar a evolução do nível dos oceanos durante os últimos três mil anos, os cientistas compilaram novos dados geológicos que indicam a elevação do nível das águas, como os pântanos e os recifes de corais, os sítios arqueológicos, além de dados referentes a marés em 60 pontos do globo nos últimos 300 anos.
Estas estimativas detalham a variação do nível dos oceanos durante os últimos 30 séculos, permitindo fazer projeções mais exatas, explicou Andrew Kemp, professor de Ciências Oceânicas e da Terra da Universidade Tufts, em Massachusetts.
Os investigadores também calculam que o nível dos oceanos pode aumentar “muito provavelmente" de 51 centímetros para 1,3 metro durante este século "caso o mundo continue a ser tão dependente de energias fósseis”.
Em 12 de dezembro, 195 países aprovaram o acordo de Paris, que prevê conter a elevação das temperaturas em dois graus acima da era pré-industrial.
Se os compromissos conduzirem a uma eliminação gradual do uso carvão e dos hidrocarbonetos, o aumento do nível dos oceanos talvez não vá além de 24 a 60 centímetros, segundo o estudo.
“Estes novos dados sobre o nível dos oceanos confirmam uma vez mais como este período moderno de aquecimento não é habitual, porque se deve às nossas emissões de gases de efeito de estufa”, sublinhou Stefan Rahmstorf, professor de Oceanografia no Instituto Potsdam de investigação sobre o impacto do clima, na Alemanha.
Agência Brasil

terça-feira, 6 de outubro de 2015

ESTUDO INDICA QUE NOSSA CIVILIZAÇÃO DERRUBOU QUASE 50% DAS ÁRVORES DO MUNDO...

https://youtu.be/jqdOkXQngw8
 
 
Um novo censo mundial de árvores da Terra estima que mais de 3 trilhões delas habitam o nosso planeta. Apesar de ser uma quantidade considerável, o levantamento indicou que o número representa apenas 50% do que existia antes da civilização humana.
O estudo é classificado como o inventário mais preciso da população de árvores da Terra até o momento, revelando que existem 3,04 trilhões de árvores, o que é equivalente a 422 árvores para cada pessoa no planeta. Os pesquisadores usaram imagens de satélite, inventários florestais e tecnologias de supercomputação para calcular o número de árvores. A nova estimativa encontrou cerca de 7,5 vezes mais árvores do que levantamentos anteriores, disseram os cientistas.
Os pesquisadores também utilizaram mapas atuais e históricos com projeções de cobertura florestal, fornecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente, para estimar a perda das árvores ao longo do tempo. Eles descobriram que o número total de árvores na Terra caiu perto de 46% desde que a civilização começou.
O estudo também descobriu que a maior densidade de árvores ocorre nas regiões subárcticas da Rússia, Escandinávia e América do Norte. As maiores áreas de floresta, no entanto, estão nos trópicos, que acolhem 43% das árvores do mundo, disseram os cientistas.
A atividade humana é a principal razão para o desaparecimento de árvores, principalmente por meio do desmatamento, uso da terra e práticas de manejo florestal, segundo a pesquisa. Estes efeitos combinados contribuem para a perda de 15 bilhões de árvores em todo o mundo a cada ano, acrescentaram os cientistas. A pesquisa foi publicada na revista Nature e conduzida por Thomas Crowther, da Yale School of Forestry & Environmental Studies de New Haven, Connecticut.
Fonte:  http://seuhistory.com/noticias/nossa-civilizacao-derrubou-quase-50-das-arvores-do-mundo-indica-estudo

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PLANETA TERRA E A SUSTENTABILIDADE DOS SEUS RECURSOS NATURAIS: ESTAMOS NO VERMELHO HÁ UM BOM TEMPO!



Planeta Terra esgota recursos e 'opera no vermelho' em 2015
18 ago 2015
12h07
atualizado às 12h08 
 Vista do Planeta Terra em foto divulgada pela Nasa 
 Foto: Nasa/ NOOA / Divulgação

Em menos de oito meses, a humanidade usou o saldo de recursos naturais de um ano inteiro da Terra, segundo dados da Global Footprint Network, um organismo internacional de sustentabilidade com sedes na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos. Desde 13 de agosto de 2015, o nosso planeta já está "no vermelho".
O Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) marca a data em que a demanda da humanidade por recursos naturais em um ano excede a capacidade da Terra de regenerar tais recursos neste mesmo ano. Nós mantemos esse déficit liquidando estoques de recursos naturais e acumulando lixo e dióxido de carbono na atmosfera.
Em 2000, o Dia da Sobrecarga da Terra ocorria no início de outubro. Ou seja, em 15 anos, os recursos passaram a se esgotar três meses antes.
A Global Footprint Network calcula o número de dias do ano e a biocapacidade da Terra de prover recursos disponíveis para a pegada ecológica da humanidade
Os custos desse déficit ecológico estão se tornando cada dia mais evidentes com o desmatamento, a escassez de água, a erosão do solo, a perda de biodiversidade e o crescimento de dióxido de carbono na atmosfera. E os problemas podem crescer ainda mais caso medidas importantes não sejam tomadas.
O astronauta americano se mostra fascinado com nosso planeta: "A Terra é linda", registra
Foto: Mike Hopkins, Nasa / Divulgação
Entenda o cálculo
Para determinar o Dia de Sobrecarga da Terra de cada ano, a Global Footprint Network calcula o número de dias do ano e a biocapacidade da Terra de prover recursos disponíveis para a pegada ecológica da humanidade. Desse modo, a conta se dá a partir da divisão dos recursos regeneráveis pela demanda total da humanidade - ao fim, multiplica-se o número por 365. A equação é a seguinte:
(Biocapacidade do planeta / Pegada ecológica da humanidade) x 365 = Dia da Sobrecarga da Terra.

Foto: Eco Desenvolvimento
Eco Desenvolvimento



quinta-feira, 21 de maio de 2015

A QUEM INTERESSA QUE O CAOS NA AMAZÔNIA CONTINUE ?




Novo relatório do Imazon abrange os motivos da baixa eficácia dos órgãos do governo em demarcar a posse de terras

BRENDA BRITO E DÁRIO CARDOSO JR.

18/05/2015 - 07h00 - Atualizado 18/05/2015 07h00 


Derrubar a floresta é o primeiro passo para grileiros se apossarem de terras públicas (Foto: Daniele Gidsicki/Flickr)

A falta de clareza sobre quem tem direito à terra na Amazônia é comumente citada como um dos principais problemas para avançar com políticas de produção sustentável e de conservação na região. Mas se isso é praticamente um consenso, por que o problema ainda existe? Quais os motivos da baixa eficácia dos órgãos fundiários?

Um novo relatório publicado pelo Imazon, chamado Regularização fundiária no Pará: Afinal, qual o problema?, indica que a resposta para essas perguntas abrange vários fatores, mas queremos destacar três problemas principais. O primeiro é a diversidade de leis regulando o assunto e de instituições responsáveis pela solução. A legislação fundiária brasileira considera quem é o ocupante da terra e qual a jurisdição da área (federal ou estadual) para determinar como sua ocupação será regularizada e qual instituição tem atribuição para isso. Assim, as regras variam se o ocupante pertencer a povos indígenas, população tradicional, comunidade quilombola ou, ainda, se for agricultor familiar, pequeno, médio ou grande produtor rural.
Ocorre que nem sempre há clareza se a terra é federal ou estadual e há casos recentes de questionamentos até sobre a identidade de quem está solicitando direito à terra. Isso ocorreu em decisão judicial na Justiça Federal em Santarém, que determinou a inexistência de etnia indígena de um grupo, alegando que se tratava de população tradicional. Portanto, este grupo teria que pleitear outra forma de reconhecimento à terra ao invés de reconhecimento de território indígena.
O segundo problema, que deriva do primeiro, é a fraca coordenação entre as instituições com responsabilidade fundiária, seja na mesma esfera de governo ou entre diferentes esferas. A sobreposição de atuações institucionais em um mesmo território é frequente, mas o diálogo entre elas é precário. No nível federal, uma Câmara Técnica foi criada em 2013 para decidir de forma coordenada a destinação de áreas federais na Amazônia que ainda não possuem definição fundiária (as glebas federais). Diferentes órgãos vinculados a quatro ministérios (Desenvolvimento Agrário; Meio Ambiente; Defesa; Planejamento, Orçamento e Gestão) reúnem-se periodicamente para avaliar a destinação de grandes blocos de terra dessas glebas. A demanda total estimada para avaliação da Câmara é de 55 milhões de hectares, equivalente a 12 vezes o estado do Rio de Janeiro.

>> Amazônia: Saqueadores de terra pública sonegam R$ 270 milhões por ano só no Pará
O modelo da Câmara é promissor, mas pode ser aperfeiçoado de duas formas. Primeiro, ampliando a coordenação com os estados. Atualmente, os governos estaduais são consultados por ofício e, se não responderem, não têm outra oportunidade de participar da decisão. Ocorre que a ineficácia desse procedimento via ofício foi um dos principais motivos que levaram à criação da Câmara na esfera federal; logo, é preciso aperfeiçoar a comunicação com órgãos estaduais. Outra necessidade é dar publicidade às áreas em análise pela Câmara e criar oportunidade para receber contribuições de atores de fora do governo. Mesmo com representatividade de diferentes órgãos na Câmara, é possível que nem todas as situações dessas áreas estejam pré-identificadas para orientar a tomada de decisão. Assim, um primeiro passo para aumentar a participação social nessa instância seria disponibilizar pelo menos na internet mapas com a localização das glebas em análise e criar canais de comunicação para envio de comentários, por exemplo.
Na esfera estadual, os esforços para ampliar coordenação institucional em questões fundiárias são baixos ou inexistentes. No Pará, as duas iniciativas mais promissoras não foram lideradas por órgãos fundiários. A primeira ocorreu ainda em 2007 com a criação de uma Comissão de Combate à Grilagem de Terras no estado. Formada por 12 instituições do poder público e sociedade civil, esta comissão conseguiu levantar informações sobre títulos de terra falsos registrados em cartórios de diferentes municípios no Pará. A Comissão influenciou uma decisão histórica do Conselho Nacional de Justiça em 2009 que levou ao cancelamento sem necessidade de ação judicial de mais de 5 mil matrículas de imóveis no estado.
A segunda iniciativa é um projeto piloto desenvolvido em parceria entre o Ministério Público Estadual do Pará, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e a Universidade Federal do Pará, que está coletando e sistematizando informações fundiárias existentes em cartórios, no Instituto de Terras do Pará (Iterpa), no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e no Programa Terra Legal. O projeto já atuou em sete municípios e está formando o que pode ser a mais completa base de dados fundiária integrada no estado, com diversas possibilidades de uso para facilitar a atuação das instituições fundiárias e órgãos de controle. Um dos desafios dessa iniciativa é que os órgãos fundiários abracem a causa e efetivamente usem o sistema em suas rotinas. Outro desafio seria expandi-la para todo o estado, o que teria um custo estimado de U$ 20 milhões – não tão alto, se considerarmos os potenciais benefícios.

>> Leia nossa cobertura completa sobre Amazônia
A dificuldade de acesso e integração de informações fundiárias, aliada à baixa transparência dos órgãos nessa área, é o terceiro problema para avanço da regularização. No âmbito federal, o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem avançado na implementação da Lei de Acesso à Informação, a partir da atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) frente aos órgãos públicos federais. O site do Incra, por exemplo, já divulga várias informações independentemente de solicitação: ações e programas, licitações e contratos, auditorias etc. Além disso, o portal i3geo disponibiliza mapas interativos com indicações de áreas em processo de regularização pelo programa Terra Legal. É possível, por exemplo, acessar as informações de um imóvel, como dados do ocupante (nome e CPF) e a situação do processo de regularização. Por outro lado, ainda não há integração entre sistemas de diferentes instituições federais que lidam com informações fundiárias. Por exemplo, o novo Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural – Sicar – não usa a base de dados fundiária do MDA como uma camada de informações padrão para análise de dados.
Na esfera estadual no Pará, além da falta de integração, a transparência de dados é baixíssima. Nossa avaliação sobre o Iterpa revelou que apenas 17% das informações de divulgação obrigatória são disponibilizadas de forma satisfatória. O restante dos dados é parcialmente disponibilizado ou de divulgação inexistente (54% e 29%, respectivamente). Um exemplo preocupante ocorre na venda de terras públicas estaduais: uma vez destacadas do patrimônio público, o Iterpa não divulga quem as comprou ou os valores arrecadados na venda.
Em janeiro de 2015, o Iterpa assinou um acordo com o Ministério Público do Estado do Pará para adequar o órgão fundiário à Lei de Acesso à Informação. Entretanto, o instituto ainda não cumpriu os prazos e obrigações assumidas. Ajudaria se o Pará tivesse um órgão formalmente designado para liderar a implementação dessa lei nos diferentes órgãos estaduais. De acordo com a CGU, o Pará é um dos cinco estados que ainda não regulamentaram essa lei.
Superar falta de coordenação entre órgãos e esferas de governo e ampliar transparência de informações fundiárias não será fácil. Contudo, essa tarefa é emergencial e essencial se o Brasil quiser realmente reduzir conflitos no campo, disponibilizar áreas legalizadas para expandir produção sustentável e implementar ações de conservação de longo prazo na Amazônia.

Brenda Brito é consultora em assuntos ambientais e fundiários e pesquisadora associada ao Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
Dário Cardoso Jr é pesquisador assistente do Imazon