quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CONFLITOS ARMADOS...

Economista que deu números ao clima teme conflito mundial

As mudanças climáticas são reais e presentes. Ignorá-las seria imprudente de nossa parte e de nossos líderes. Com afirmações contundentes, o economista britânico Nicholas Stern, autor do influente relatório de 2006 sobre economia das mudanças climáticas, faz uma análise preocupante sobre os eventos extremos que veem abalando o mundo.
Em texto publicado na coluna que mantém no jornal The Guardian, ele alerta para o risco do mundo mergulhar em conflitos e guerras a medida que mais áreas são afetadas pelas catástrofes naturais, obrigando a evacuação e muitas vezes, a migração, de milhares de pessoas.
No texto, Stern destaca que o último Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em setembro passado, apontou para um padrão de mudanças extremas nas condições climáticas de 1950 para cá, sendo a ação humana a maior responsável pelo aumento da temperatura do planeta.
Se não cortarmos as emissões de gases efeito estufa, escreve o economista, enfrentaremos consequências ainda mais devastadoras, que poderiam levar ao aumento da temperatura média global em 4 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, até o final do século.
“A mudança para um mundo assim poderia causar migrações em massa de centenas de milhões de pessoas vindas das áreas mais afetadas. Isso levaria a conflito e guerra, não à paz e prosperidade”, alerta Stern.
“Na verdade, os riscos são ainda maiores do que eu percebi quando eu estava trabalhando na revisão de a economia das alterações climáticas para o governo do Reino Unido em 2006”, pondera.
Stern é autor do estudo divisor de águas nas discussões sobre mudanças climáticas, que mostrava como o investimento de apenas 1% do PIB mundial poderia evitar a perda de 20% do mesmo PIB dentro de 50 anos.
“Desde então, as emissões anuais de gases de efeito estufa aumentaram fortemente, e alguns dos impactos, tais como o declínio do gelo do mar Ártico, começaram a acontecer muito mais rapidamente”, explica.
O economista e ex-ministro britânico afirma que também subestimou a importância potencial de feedbacks fortes, como o degelo do permafrost, que libera metano na atmosfera, um poderoso gás de efeito estufa, bem como os “pontos de mutação” além do qual algumas mudanças no clima podem se tornar efetivamente irreversíveis.
“O que temos experimentado até agora, certamente, é pequeno em relação ao que poderia acontecer no futuro. Devemos lembrar que da última vez que a temperatura global foi 5 ºC diferente em relação à média de hoje, a Terra foi tomada por uma era do gelo”, sublinha.
Stern conclui enfatizando que os “riscos são imensos e só podem ser sensivelmente geridos pela redução das emissões de gases de efeito estufa, o que exigirá uma nova revolução industrial de baixo carbono”. (Fonte: Exame.com)
Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2014/02/19/102892-economista-que-deu-numeros-ao-clima-teme-conflito-mundial.html

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

REALMENTE, ESTAMOS NUMA CRISE DE LEGITIMIDADE E DE INSTITUCIONALIDADE SEM PRECEDENTES NO BRASIL! E AÍ ENTÃO ATÉ O XENOFOBISMO E O NAZISMO ENCONTRAM TERRENO FÉRTIL PARA SE PROLIFERAREM...


Só que tem um detalhe: eles esqueceram de dizer que antes dos seus antepassados colonizadores chegarem aqui no Brasil os índios já viviam aqui, portanto, se tem algum intruso e invasor no Brasil com certeza não são os índios....



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

OS IMPACTOS DA ECONOMIA VERDE NA AMÉRICA LATINA...

Os impactos da Economia Verde na América Latina
29.01.2014

A Alianza Biodiversidad, Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) e o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM) produziram, em conjunto, mais uma edição especial (em espanhol) da revista "Biodiversidad, Sustento y Culturas", dedicada ao tema do avanço e dos impactos da Economia Verde na América Latina


Nova publicação: "Leyes, políticas y economía verde al servicio del despojo de los pueblos".



A Alianza Biodiversidad, Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) e o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM) produziram, em conjunto, mais uma edição especial (em espanhol) da revista "Biodiversidad, Sustento y Culturas", dedicada ao tema do avanço e dos impactos da Economia Verde na América Latina, sob o título "Leyes, políticas y economía verde al servicio del despojo de los pueblos".

O WRM realizou três pesquisas sobre o tema do REDD, a partir das quais foram elaborados três artigos que incluímos nesta edição especial. Cada um destes artigos tem-se traduzido em português:
- A iniciativa Carbono, Comunidade e Biodiversidade no corredor ecológico Monte Pascoal-Pau Brasil: outro fracasso da compensação de carbono, produzido por Jutta Kill. A autora examina um projeto específico no sul da Bahia, Brasil, promovido como projeto-piloto para financiar a restauração de florestas "degradadas" por meio da venda de créditos de carbono.
Leia o artigo em:


- Considerações sobre um projeto privado de REDD no interior do Estado do Acre - Brasil, produzido pelo Centro da Memória das Lutas e Movimentos Sociais da Amazônia. Aqui se estuda o Projeto Purus, que, segundo seus objetivos, pretende "gerar oportunidades econômicas para as comunidades locais" e implementar "projetos sociais", evitando o desmatamento e preservando a biodiversidade da área onde se desenvolve.
Apesar de ambos os projetos estarem certificados, garantindo, assim - segundo os documentos assinados - um impacto social positivo para as comunidades locais, a experiência demonstra que não são as comunidades que se beneficiam desses projetos de REDD. Pelo contrário, elas acabam sendo afetadas por eles - que beneficiam, antes de mais nada, os interesses dos grandes proprietários de terras, incluindo empresas e grandes ONGs conservacionistas, além do próprio governo estadual, como é o caso do Acre.


- Mascarando a destruição: REDD+ na Amazônia peruana, produzido por Joanna Cabello. A autora faz uma análise do processo REDD no Peru. O governo peruano tem atuado como o principal promotor de projetos de REDD no país, com incontáveis projetos-piloto que inserem as florestas na lógica de mercado.

O artigo expõe a forma como esse processo está se dando sem alterar, e até reforçando, um modelo de desenvolvimento vigente no país, baseado na extração destrutiva na Amazônia, em grande parte pelas indústrias de mineração e de hidrocarbonetos, entre outras atividades. Nesse contexto, o REDD dificilmente será um aliado das comunidades que lutam contra o desmatamento e em defesa de seus territórios.
Leia o artigo em http://wrm.org.uy/wp-content/uploads/2013/11/Mascarando_a_destruicao.pdf (disponível também em espanhol e inglês em http://wrm.org.uy).
Ao compartilhar essas experiências, tentamos aportar mais elementos à reflexão e ao debate sobre os impactos dos projetos de REDD nas comunidades locais.
A equipe do WRM


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

2013 FOI O ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA...

2013 foi o sétimo ano mais quente da história, diz Nasa

Um estudo divulgado pela Nasa nesta terça-feira aponta que o ano de 2013 foi o sétimo mais quente desde que a temperatura começou a ser medida sistematicamente, em 1880. Segundo a agência americana, em 2013 foi mantida a tendência de longo prazo de um aquecimento global das temperaturas. Os anos mais quentes registrados são 2010 e 2005. Dos 10 anos mais quentes da história, nove ocorreram desde 2000, sendo 1998 a exceção.
O estudo do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, vinculado à Nasa, indicou que a temperatura média do planeta em 2013 foi de 14,6ºC, o que representa 0,6ºC acima de meados do século XX e 0,8°C acima de 1880. O estudo aponta que 2013 foi o ano mais quente da história da Austrália, enquanto foi apenas o 42º mais quente já registrado nos EUA.

Dados climáticos de 2013 confirmam o aquecimento global, segundo a Nasa

Os dados climáticos de 2013 em todo o planeta, o sétimo ano mais quente desde que começaram os registros, confirmam a tendência de aquecimento global em longo prazo, segundo um estudo da Nasa divulgado nesta terça-feira (21).
O trabalho, realizado no Instituto Goddard de Estudos Espaciais da agência espacial americana, mostra que a temperatura média global do ano passado foi de 14,6 graus Celsius, 0,6 graus acima da média do século 20.
Além disso, há 38 anos, em nenhum deles a temperatura média se situou abaixo dessa média de 14,6 graus.
Exceto em 1998, os dez anos mais quentes dos 134 dos quais se dispõe de registros de todo o planeta correspondem ao século 21, com 2010 e 2005 como os que tiveram uma temperatura média mais elevada.
Os cientistas, no entanto, destacam que os padrões meteorológicos podem causar oscilações na temperatura de ano em ano, mas que o aumento contínuo de gases do efeito estufa na atmosfera terrestre estão provocando um aumento global das temperaturas em longo prazo.
Cada ano não tem que ser necessariamente mais quente que o anterior, asseguram os pesquisadores da Nasa, mas dados os níveis atuais de gases do efeito estufa, esperam que cada década supere a temperatura média da precedente.
“Embora um ano ou uma estação possa ser afetada por fenômenos meteorológicos aleatórios, esta análise mostra a necessidade de monitoração contínua e em longo prazo”, explicou o climatólogo do Instituto Goddard, Gavin Schmidt.
Os gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, prendem o calor na atmosfera e regulam as mudanças no clima terrestre.
Devido à ação humana, a concentração destes gases (que se gera de forma natural, mas também ao queimar combustíveis fósseis), aumentou nas últimas décadas e se encontra no nível mais alto dos últimos 800 mil anos, segundo a Nasa.
A concentração de dióxido de carbono na atmosfera era de 285 partes por milhão em 1880, quando começaram os registros do Instituto Goddard, e no ano passado superaram as 400 partes por milhão. (Fonte: Terra)
Fonte: Ambientebrasil

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

MADEIRA NA AMAZÔNIA: UM FOCO NO COMBATE À ILEGALIDADE

Atualmente, é comum a “falsa legalidade” a partir de créditos virtuais, o que eleva a possibilidade de “esquentamento” de madeira ilegal
Por: Antônio Carlos Hummel
 
Antônio Carlos Hummel é diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB)
As estatísticas são escassas e falhas, mas o porcentual de madeira nativa amazônica extraída ilegalmente nunca foi inferior a 60%. Os períodos com fiscalização mais intensa, o combate à exploração em terras públicas e a criação de unidades de conservação diminuíram, ocasionalmente, esse índice.
A extração ilegal tem várias causas: a) falta de governança das terras públicas (federais e estaduais) destinadas e não destinadas (ainda somam mais 60 milhões de hectares, uma porta aberta para a grilagem); b) dificuldades operacionais e de logística para atuação da fiscalização nas condições da região; c) abundância de matéria-prima florestal; d) forte demanda de consumo pelos mercados locais; e) altos índices de desmatamento ilegal disponibilizando matéria-prima; f) impunidade; e g) ênfase do controle em documentos de transporte de madeira de forma não articulada e estratégica com o licenciamento da indústria madeireira e não integração com os sistemas de arrecadação da fazenda estadual.
Acrescenta-se a todas essas causas a total ausência de estímulos públicos para quem deseja atuar de acordo com a lei, não só ambiental, mas também a fundiária, tributária e trabalhista. Outro forte desestímulo são os longos prazos e a burocracia para licenciamento das atividades florestais.
A culpa das irregularidades e das fraudes é comumente colocada nas ferramentas de transporte (DOF e GF). Esses sistemas são como tomógrafos, identificam a doença. Mas, não são culpados pelo “câncer”. É fácil colocar culpa em ferramenta que é impessoal e não entender e discutir profundamente o problema.
Atualmente, é comum a “falsa legalidade” a partir de créditos virtuais, o que eleva a possibilidade de “esquentamento” de madeira ilegal. No entanto, tudo isto é possível porque continuamos apostando em modelos (como o atual) de controle que “matematicamente” não conseguem fechar a conta entre o volume original de entrada em toras e o volume final de madeira processada. A definição de padrões é praticamente impossível porque as margens de variação e erro são enormes quando do processamento. É como querer reconstituir um porco a partir das suas linguiças.
Estudo recente coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) indica que a indústria é pouco fiscalizada e os critérios utilizados não são rigorosos com relação à origem do insumo florestal, renovação de licenças e comprovação de funcionamento com vistorias periódicas (a Resolução CONAMA 411/09 não é utilizada). O atual sistema de licenciamento de indústrias de processamento de madeira, com regras diversas entre os estados e pouca transparência, não favorece o combate à ilegalidade.
Em síntese, o ambiente descrito acima não é adequado para combater a ilegalidade da exploração de madeira amazônica. O ambiente, talvez o único, que se apresenta favorável a uma oferta de madeira rastreada e manejada sustentavelmente é o das concessões florestais. É onde existe controle efetivo do manejo florestal, governança do poder público, possibilidade de rastreabilidade (está sendo desenvolvido um sistema pelo SFB), segurança fundiária, transparência, proteção contra invasões, compromissos e contratos de longo prazo.
A situação exige um novo esforço para fortalecer a política das concessões e ao mesmo tempo colocar efetivamente na pauta o combate à ilegalidade na exploração de madeira. Não pode ser uma discussão superficial e de distribuição de culpas. Novas estratégias e abordagem inovadoras devem ser adotadas.
É preciso, por exemplo: 1) criar um conjunto de incentivos para as concessões florestais; 2) definir normas gerais para o licenciamento da indústria madeireira, com estratégias e foco na sua fiscalização; 3) integrar as ferramentas de controle (DOF e GFs) com o sistema de notas fiscais eletrônicas ou – por que não - a existência de um único documento; 4) estabelecer a partir terras públicas não destinadas – antes que tenham seu potencial florestal degradado - novas áreas para concessões florestais; 5) que os estados, a exemplo do Pará, estabeleçam uma estratégia para implantação das concessões estaduais; 6) discutir um novo modelo de controle relacionado com o rendimento no processamento da madeira; e 7) definir uma politica de compra sustentável de madeira amazônica por parte do poder público.
O Serviço Florestal tem certeza da possibilidade de uma economia madeireira sustentável na Amazônia, tendo em vista o conhecimento técnico disponível e os milhões de hectares de terras públicas já destinadas (Florestas Nacionais e Estaduais) e ainda os milhões de hectares que ainda podem ser destinados para manejo florestal. Mas, para isto, precisamos diminuir a ilegalidade, que fragiliza as iniciativas de manejo florestal sustentável, em especial as concessões florestais, e desestimula quem atua corretamente.
Antônio Carlos Hummel é Diretor-Geral do Serviço Florestal Brasileiro
Fonte: Painel Florestal